
Casa pica pau
Residência
ITATIBA, BRASIL, 2022
Localizada no interior de São Paulo, na cidade de Itatiba, esta casa leva o nome de seu visitante mais frequente, o pica-pau, ave típica da região de Mata Atlântica no Brasil. Estrategicamente posicionado num terreno em declive, o edifício se debruça sobre a floresta no limite da área de preservação ambiental. Sua implantação foi pensada para garantir uma casa térrea, totalmente desenhada para acessibilidade.
As premissas para concepção da Casa que leva o nome de seu visitante mais frequente, definiram sua espacialidade, materiais e revestimentos usufruindo da riqueza ambiental de seu entorno: luz, água, ventilação e vegetação em abundância. Buscando garantir uma vivência plena para a família, os ambientes são organizados através de pátios internos e varandas que garantem a boa circulação entre os espaços, a entrada de luz necessária e a privacidade desejada.




Uma arquitetura descarbonizada e integrada com a natureza
A escolha da estrutura em madeira engenheirada reduz o impacto ambiental da obra ao diminuir a produção de resíduos não recicláveis e garantir maior controle e agilidade na construção. Internamente, a própria madeira faz o acabamento dos elementos estruturais que compõem com o piso cerâmico e os demais materiais para garantir conforto visual, térmico e acústico.
O projeto também adota os princípios da arquitetura bioclimática, respondendo às condicionantes naturais do lugar como estratégia central de conforto ambiental. A implantação foi orientada para tirar partido da trajetória solar e dos ventos predominantes, promovendo aquecimento passivo nos meses frios e ventilação cruzada natural no verão — reduzindo ao mínimo a dependência de sistemas artificiais de climatização.





Essas decisões foram respaldadas por simulações computacionais avançadas, que permitiram analisar radiação solar incidente, sombreamento, temperatura operativa e fluxo de ar ao longo de todas as estações do ano. A geração de energia é complementada por um sistema de placas fotovoltaicas, que contribui para reduzir significativamente o consumo da rede elétrica convencional. A gestão da água segue a mesma lógica de responsabilidade ambiental: uma grande cisterna coleta e armazena a água da chuva, diminuindo a dependência da rede pública e reintegrando ao ciclo de uso um recurso que seria simplesmente descartado. O resultado é uma arquitetura que dialoga ativamente com o clima e os recursos naturais do lugar, tornando a sustentabilidade uma consequência do próprio desenho.
Os ambientes são organizados por meio de pátios internos e uma grande varanda, que garantem boa circulação entre os espaços, a entrada de luz necessária e a privacidade quando desejada. O uso de revestimentos naturais e locais fez parte da premissa de sustentabilidade e conforto. O mesmo piso de cerâmica cobre toda a casa, produzido a partir de terra compactada levada ao forno. Todas as pedras utilizadas no projeto são nacionais, como o granito Blue Eagle e o piso da área externa em pedra Goiás Verde.
Para se integrar ainda mais à natureza, todo o revestimento externo do edifício é composto por chapa metálica ondulada na cor verde, no mesmo tom dos jardins que circundam a casa. O paisagismo priorizou o uso de espécies nativas, com floração garantida ao longo de todo o ano, além de diversas espécies frutíferas.
O projeto de interiores priorizou o design brasileiro e a própria memória afetiva dos moradores, em móveis e objetos que narram sua história, suas viagens e as lembranças de família. O rico e sofisticado artesanato brasileiro predomina em todos os ambientes, fruto da constante pesquisa e das viagens pelo interior do Brasil que seus moradores realizam com frequência. Por fim, como uma morada multiespécie, o projeto inclui soluções arquitetônicas para abrigar gatos e passarinhos, além de outros visitantes inusitados, que serão sempre bem-vindos nesse lar.


